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Ah! Religião #2: O Espiritismo e o Direito à Liberdade

Os sistemas políticos e econômicos liberais do mundo material coadunam com a visão espirita de uma sociedade moralmente livre?




Quando as comunicações espíritas eclodiram no século XIX, o continente europeu passava por um conjunto de reformas e revoluções que, sustentadas pelas ideias iluministas do século XVIII, promoveram os primeiros sopros valorativos dos ideários de liberdade no mundo.


Na recente história...

...deste planeta que habitamos, há, apenas, trezentos anos começamos a defender as ideias de liberdade como fundamentais à nossa estrutura social

Concretamente, até o presente momento histórico de início do século XXI, este direito civil humano básico mostra-se, muito mais, como um status social permitido a indivíduos do planeta do que um instrumento de cidadania garantido e assegurado na esfera terrestre a todos os habitantes. Não há possibilidade da existência do Espiritismo fora do ideário de Liberdade que já conseguimos, minimamente, entender como direito de cada um daqueles que estagiam na carne nestes tempos. A Doutrina Espírita sustenta-se neste valor. Não foi ao acaso que o território francês, semeador da defesa da Liberdade na Revolução Francesa, fora escolhido para organizar, na Terra, o nascimento da Doutrina dos Espíritos. No Livro dos Espíritos, o conceito de Liberdade é apresentado como uma Lei Moral e analisado pelos seus desdobramentos mais diretos: a liberdade natural, a escravidão (visto como o ápice da ausência da liberdade), a liberdade de pensamento, de consciência, entre outros. O ser humano é, assim, considerado um sujeito livre enquanto ser que vivencia a experiência terrestre. É preciso evidenciar, todavia, que, a compreensão espirita não trabalha o conceito de liberdade como um valor absoluto em si mesmo, mas, sim, apresenta-nos, de maneira clara, a lógica binômica de associação entre Liberdade e Responsabilidade. Nesse sentido, mais do que um direito ou valor individual, a liberdade na visão dos Espíritos é um convite ao respeito pelo próximo. As questões 825 e 826 evidenciam tal compromisso: 825. Há posições no mundo em que o homem possa gabar-se de gozar de uma liberdade absoluta? – Não, porque vós todos necessitais uns dos outros, os pequenos como os grandes. 826. Qual seria a condição de que o homem pudesse gozar de liberdade absoluta? -A do eremita no deserto. Desde que haja dois homens juntos, há direitos a respeitar e não terão eles, portanto, liberdade absoluta. Como doutrina filosófica, o espiritismo organiza-se pelo princípio do respeito ao próximo. O “outro” torna-se um componente fundamental do direito individual e por isso não faz sentido uma defesa liberal que inclua, apenas, a lógica individualista presente nos sistemas vigentes do mundo material que habitamos, se quisermos seguir a ótica ensinada pela Doutrina dos Espíritos. Para os Espíritos da Codificação, a defesa intransigente da Liberdade como Direito vem acompanhada da Responsabilidade que esta liberdade não cause danos a outros indivíduos que partilhem as experiências terrestres. Uma liberdade individual irrestrita, sem medições ou interferências que garantam a justiça aos “pequenos”, como citado na questão 825, evidencia os arraigados instintos egoístas humanos que nos levaram historicamente ao mal da escravidão e da subserviência de uns em relação aos outros, e não a exaltação do valor verdadeiro de liberdade. Os Espíritos da Codificação entendem o direito à liberdade como um compromisso social, em sentido cristão, pelo mais necessitados. Esta é a lógica de todo o trabalho de Kardec, sustentado pelo axioma do “Fora da Caridade não há salvação” Se o sistema terrestre que defende os ideários de liberdade não se sustentar pela opção de beneficiar os mais necessitados, nada terá de espiritual. Mostrar-se-á, apenas, como uma defesa do indivíduo como o ser absoluto que só existe na figura do ermitão, arquétipo de isolamento, a qual todos nós somos convidados a não adentrar, pela necessidade de convívio social para reparação de nossos conflitos e desacertos de jornada. No Espiritismo, a preservação dos direitos individuais não é um valor absoluto, Nem mesmo em relação à liberdade que tanto admiramos. Uma defesa da liberdade como ideal que nos enclausure em si mesmos e nos faça distanciar da realidade social, e da opção pelos que mais precisam, não é uma opção para os Espíritos Superiores da Codificação, nem para nós que observamos, de perto, as lutas daqueles que as posses materiais insuficientes mal conseguem dar condições de sustento a força física necessária pra manutenção do corpo no dia-dia.

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