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Aula Escrita #12: Introdução sociológica

Revisão de Sociologia em Texto e Imagens!



Cultura ou Civilização, tomada em seu mais amplo sentido etnográfico, é aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem na condição de membro da sociedade.

Tylotr. Cultura Primitiva (Primitive Culture), de 1871.,


A Pré Sociologia




Sociologia é, grosso modo, a ciência que estuda a sociedade. Com o auxílio da economia, da política, da antropologia e da psicologia, a sociologia busca compreender, de maneira estritamente científica, como os agrupamentos sociais humanos desenvolveram-se e como é possível intervir nesse desenvolvimento. Assim, diversas outras áreas do conhecimento utilizam dos conhecimentos sociológicos para promoverem ações que estejam diretamente ligadas à intervenção nas sociedades. Entrentanto no início do século surgiram teorias sociológicas que se mostraram pseudo cientifícas pelas ausência , ou por ter problemas de método.


O Evolucionismo Cultural


Inspirados na ideia da gradual evolução das espécies, pensadores e estudiosos do ser humanos elaboraram um paradigma que hoje chamamos de evolucionismo cultural ou antropologia evolucionista, segundo o qual os diferentes grupos humanos se desenvolvem a partir de estágios mais primitivos até alcançar etapas mais avançadas de um processo evolutivo universal. O principal eixo da epistemologia desse paradigma era o método comparativo, ou seja, o cotejo das diversas manifestações culturais de diferentes povos com o objetivo de encontrar semelhanças de desenvolvimento cultural.


Tylor nasceu em 1832 em Londres e nunca se cursou carreira acadêmica. Suas viagens a Cuba e ao México resultaram em seus primeiros escritos sobre cultura, entre os quais um livro no qual defendia a ideia colonialista de que os mexicanos não tinham condições de governar a si próprios e necessitavam ser assimilados pelos Estados Unidos. A Antropologia, na perspectiva desse autor, serviria como meio diplomático de as metrópoles imperialistas atuarem mais eficazmente sobre os povos colonizados.


O Darwinismo Social




Darwinismo social é a teoria da evolução da sociedade. Recebe esse nome uma vez que se baseia no Darwinismo, que é a teoria da evolução desenvolvida por Charles Darwin (1808-1882), no século XIX. Este estudo social foi desenvolvido entre os séculos XIX e XX pelo filósofo inglês Herbert Spencer (1820-1903), que antes de Darwin pensou no tema da evolução.


O darwinismo social acredita na premissa da existência de sociedades superiores às outras. Nessa condição, as que se sobressaem física e intelectualmente devem e acabam por se tornar as governantes. Por outro lado, as outras - menos aptas - deixariam de existir porque não eram capazes de acompanhar a linha evolutiva da sociedade.

O darwinismo social foi empregado para tentar explicar as sociedades formadas após a revolução industrial, sugerindo que os que estavam pobres eram os menos aptos (segundo interpretação da época da teoria de Darwin) e os mais ricos que evoluíram economicamente seriam os mais aptos a sobreviver, por isso, os mais evoluídos. Durante o século XIX, as potências europeias também usaram o darwinismo social como justificativa para o Imperialismo.


O Racismo Científico




O racismo cientifico é uma corrente de ideias que busca justificar o racismo a partir dos conceitos científicos do século XIX. A ideia racistas é uma forma de discriminação de pessoas por suas caracterísaticas de fenótipo associadas às suas características socioculturais, como se ambas derivassem dos elementos biológicos do ser humano, e não se uma construção histórico-cultural.


O racismo científico foi relativamente comum no período entre o século XVII e o fim da Primeira Guerra Mundial. Embora a partir da segunda metade do século XX tenha sido considerado obsoleto e desacreditado, em alguns meios continuou a ser usado para apoiar ou legitimar a ideias racistas, baseadas na crença de que existem categorias raciais e raças hierarquicamente inferiores e superiores.



O Positivismo




O Positivismo fui uma das correntes de pensamento mais importantes do pensamento pós kantiano , tanto que sua influencia alcançou todas as ciências, principalmente as ciências humanas, de modo que ainda vivemos as consequências do pensamento científico. É uma filosofia baseada unicamente na experiência, ou seja, só o empirismo é o que garante a verdade. O nome positivismo nasce da ideia de que o que existe é somente aquilo que está posto, que é real, desprezando toda e qualquer essência ou substância, algo metafísico, entendendo por real aquilo que pode ser percebido pelos sentidos.




O Positivismo enquanto corrente filosófica foi construído por Augusto Comte (1789-1857). Nele, a filosofia ocupa um papel de apenas organizar o conhecimento científico e não encontrar verdades metafísicas, uma vez que estas não existem e a própria metafísica é uma investigação inútil. Segundo Comte, todas as coisas estão em uma relação de causalidade, por isso todos os fenômenos, naturais e sociais, podem ser explicados por meio de suas relações de causa e efeito. Assim, uma vez encontrada a causa do efeito, em toda experiência há de se observar os mesmos acontecimentos, ou seja, as mesmas relações universais.





Segundo Comte, o método geral do positivismo consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, através da promoção do primado da experiência sensível, única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência, sem qualquer atributo teológico ou metafísico, subordinando a imaginação à observação, tomando como base apenas o mundo físico ou material. O Positivismo nega à ciência qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e sociais (ciência de caráter abstrato e metafísico), considerando este tipo de pesquisa inútil e inacessível, voltando-se exclusivamente para a descoberta e o estudo das leis que são as relações constantes entre os fenômenos observáveis. Assim, o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro; Comte desconsidera todas as outras formas de conhecimento humano que não possam ser comprovadas cientificamente. Tudo aquilo que não puder ser provado pela ciência é considerado como pertencente ao domínio teológico-metafísico, caracterizado por crendices e vãs superstições. Para os positivistas o progresso da humanidade depende única e exclusivamente dos avanços científicos, único meio capaz de transformar a sociedade e o planeta Terra no paraíso que as gerações anteriores colocavam no mundo pós-morte. Dessa forma, substitui-se a teologia e a metafísica pelo culto à ciência. O mundo espiritual pelo mundo humano.



A) A lei dos três estados.



A ideia chave do Positivismo de Comte é a Lei dos Três Estados, de acordo com a qual a humanidade passou e passa por três estágios em suas concepções acerca da verdade, isto é, na forma de conceber as suas ideias e a realidade.

1º estágio - Teológico:

O ser humano explica a realidade apelando para entidades supranaturais (os “deuses”), buscando responder a questões como “de onde viemos?” e “para onde vamos?”; além disso, busca-se o absoluto;

2º estágio - Metafísico:

O estado metafísico é um meio-termo entre a teologia e a positividade. No lugar dos deuses, há entidades abstratas para explicar a realidade: as essências ou substâncias dos seres. Continua a procura por responder a questões como “de onde viemos?” e “para onde vamos?” e procurando o absoluto, ou seja, uma fase filosófica.

3º estágio Positivo:

Esta é a etapa final e definitiva do conhecimento da humanidade. Não se busca mais o “porquê” das coisas, mas sim o “como”, através da descoberta e do estudo das leis naturais, ou seja, das relações constantes de sucessão ou de coexistência (causa-efeito). A imaginação subordina-se à observação e busca-se apenas pelo observável e concreto.

b) O Positivismo no Brasil


A conformação atual da bandeira do Brasil é um reflexo da influência do positivismo na política nacional. Na bandeira lê-se a máxima política positivista Ordem e Progresso, surgida a partir da divisa comteana “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziria para a perfeita orientação ética da vida social. Para o positivismo o progresso é um processo deliberado e racional, e que autoridades centrais podem, portanto, identificar as leis inexoráveis que governam as sociedades, acelerando o desenvolvimento através da engenharia social, que é a sociologia.


c) As críticas ao positivismo


A ciência moderna acabou com as esperanças de uma realidade universal harmoniosa e ordenada, que pudesse ser traçada de modo matematicamente exato. Dessa forma, o determinismo científico ruiu uma vez que as leis naturais são meras abstrações e idealizações do intelecto, carecendo de qualquer existência objetiva. O mundo é confuso, caótico, dominado pelo princípio da incerteza. Se assim é na física, muito mais evidente se constata tal incerteza e imprevisibilidade na sociedade. O que torna Comte e o Positivismo ultrapassados é sua ênfase no determinismo, na hierarquia e na obediência, sua crença no governo da elite intelectual e sua insistência em desprezar a teologia e a metafísica como meio ilegítimos de conhecimento.







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