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Aula Escrita #1: introdução à FIlosofia

Atualizado: 23 de jul. de 2020

Revisão de Filosofia em Texto e Imagens!





“O filósofo Wittgenstein qualifica de “absurdo irritante” a ideia de que não se possa formular um juízo sobre isso ou aquilo por não haver aprendido filosofia: ‘Porque as pessoas agem como se a filosofia fosse uma ciência qualquer. E falam dela como falariam da medicina.’ Por que é necessário fazer filosofia, se o que justifica a intervenção dela é unicamente a existência de erros e ilusões que são filosóficos? Por que a terapêutica mais radical e mais eficaz não seria a que consiste em evitar, tanto quanto possível, qualquer contato com os problemas filosóficos e , portanto, com a própria filosofia? A resposta de Wittgenstein, bastante conhecida, é que realmente não temos escolha: em certo sentido, todos somos filósofos, bons ou maus, pelo simples fato de que falamos uma linguagem, vitimas reais ou potenciais da mitologia latente que está depositada em sua forma de expressão”

BOUVERESSE, Jaques. O futuro da Filosofia: Os filósofos entre os autófagos. Rio de Janeiro: Atlântica, 2005. Pág 170 -171.


1. O Estudo da Filosofia



O estudo da filosofia, como apresentado no texto acima, é inerente a capacidade humana de pensar e comunicar. Assim, ao iniciarmos o estudo de um conhecimento novo, é comum que busquemos conceitos que sirvam como norteadores daquilo que iremos aprender. Torna-se fundamental que saibamos o que é filosofia para que possamos entender o raciocínio filosófico. Todavia a pergunta do que é algo possui difícil resposta. Por exemplo, ao questionarmos “quem somos” é comum pararmos um instante para pensarmos sem saber o que responder. Além disso, é possível que, ao tentarmos responder, comecemos a enumerar o que fazemos como: o que estudamos ou em qual área do conhecimento exercemos profissão. Não respondemos o que somos e sim o que realizamos. Na sociedade contemporânea é comum essa mistura de conceitos, mas para a compreensão de um novo conteúdo é equivocado quando confundimos um conceito (o que se é) com o que se faz dele (o seu uso). Por isso para entendermos o que é filosofia começamos por evidenciar aquilo que não é filosofia. Saber o que não é torna-se um caminho de raciocínio filosófico para compreendermos, de maneira inversa, um conceito que queremos aprender.


2. O que NÃO é Filosofia:




A filosofia se diferencia de outros ramos do conhecimento humano por sua característica racional. Todavia muitos assuntos tratados pela filosofia também são vistos nos mitos, nas artes e no senso comum Por isso é fundamental explicitar a diferença entre filosofia e algumas outras reflexões feitas por seres humanos.


a) Filosofia não é Opinião:


Uma das grandes confusões filosóficas na contemporaneidade é a admissão do raciocínio filosófico com opinativo. Apesar da abrangência de estudo das áreas da filosofia, o estudo filosófico não permite a falta de objetivos ou critérios comuns à opinião. Todo raciocínio filosófico guia-se por um caminho racional, lógico e compreensível o que garante a inteligibilidade das conclusões e razões construídas. Dessa forma podemos assumi-lo como argumentativo, mas não opinativo.


b) Filosofia não é Ciência:


O saber científico tem por característica o estudo de um conhecimento delimitado, sendo o objeto de análise restrito. Por exemplo, o objetivo do estudo histórico é ação do homem no tempo, bem como o geográfico o espaço. Já a filosofia não possui objeto de estudo definido podendo expandir-se para qualquer área do conhecimento humano. Na tradição grega é comum observamos os primeiros filósofos tratando a filosofia como a “mãe da ciência” por seu caráter investigativo e universal. A filosofia precede a ciência na categorização grega.

c) Filosofia não é Religião:


Apesar de algumas correntes filosóficas optarem por raciocínios dogmáticos e tratar de temas como o bem, o mal ou até mesmo Deus, o pensamento filosófico não se confunde com o religioso pela questão central da ausência de fé. Na filosofia a busca de respostas é direcionada pela razão não comportando explicações retiradas a partir de livros sagrados ou instrumentos de fé.



3. O que é Filosofia





Visto as áreas de conhecimento humano que não são filosóficos podemos agora definir o que é filosofia. Muitos são os filósofos que articulam teorias sobre esse assunto e por isso temos significados diferentes, e até mesmo contraditórios, nas definições sobre o a identidade da filosofia.


a)Conceito Histórico:


Filosofia é uma palavra de origem grega originada do termo philosophia. A junção de philos (amizade ou amor em um sentido familiar, fraterno) e sophia ( sabedoria) formam etimologicamente o termo. Em linha gerais, filosofiaé o amor pelo saber e o filósofoàquele que ama o conhecimento. A tradição grega relata que Pitágoras de Samos foi o primeiro pensador a caracterizar o filósofoao designar-se aos observadores do cotidiano das póleis (cidades) gregas.


b) Conceito Casual.


No senso comum o termo Filosofia tem um significado individual, sendo a forma como um ser humano leva a vida ou se porta perante o mundo. Muitas vezes a palavra é usada como modo de vida ou jeito de ser. Ex. Tomo tais atitudes pois essa é minha filosofia de vida.


c) Conceito Racional.


Outra concepção do termo filosofia está relacionada com o próprio pensamento. O ato de pensar, e de consequentemente se expressar, se confunde com o próprio ato de filosofar como acredita Wittgenstein no texto introdutório desse capítulo. Todavia, esse conceito por vezes banaliza o raciocínio filosófico se for compreendido de uma maneira a desqualificar a sistematização necessária a filosofia.


d)Conceito Reflexivo.


Esta é a concepção mais usada para definir o exercício filosófico. Por meio de um intensivo esforço de análise, questionamento e crítica o exercício da filosofia busca o encontro da verdade sobre o ser humano e o mundo. A filosofia confunde-se com a própria produção do conhecimento humano, já que a reflexão é peça fundamental para sedimentação do saber.


4. A teoria dos 3 "Rs"





Como todo conhecimento humano, o saber filosófico não está pronto e acabado, sendo qualquer definição passível de modificação e ressignificação ao longo tempo A partir das reflexões sobre o exercício do pensar, além da diferenciação daquilo que é e do que não é filosofia, podemos definir características centrais do ramo filosófico que denominaremos neste material como a Teoria dos Três Erres. Três palavras, todas iniciadas com a letra R, formam a trindade na busca do conhecimento filosófico. São elas:


A filosofia é um pensamento radical:


O raciocínio filosófico é profundo buscando solucionar conflitos de forma definitiva. Para isso é necessário a busca pela raiz dos problemas e do conhecimento humano. Faz- se necessário aqui diferenciar radicalismo de fundamentalismo. Ser radical implica um raciocínio vertical de investigação onde não se pára no conhecimento superficial. Isso não significa ser fundamentalista. O raciocínio filosófico é aberto ao diálogo, ao conflito e aos paradoxos, sendo, assim, radical sem ser fundamentalista.


A filosofia é um pensamento rigoroso:


O raciocínio filosófico tem por escopo ser lógico e compreensivo. Para isso é necessário a busca pelos sentidos por trás das palavras, do encadeamento de ideias e da crítica sobre o senso comum já estabelecido. A filosofia trabalha a partir de sistemas e teorias sustentam o arcabouço reflexivo de suas investigações sempre sendo pautada por respostas coerentes às perguntas realizadas.


A filosofia é um pensamento reunido:


Ao contrário das ciências que buscam partilhar o conhecimento para o melhor aprofundamento, a filosofia trabalha com o universal e com a busca de conceitos que sirvam com explicação para todos os lugares e tempos da humanidade. A investigação filosófica propõe-se a trabalhar com a realidade como um todo, evitando lacunas e questões não respondidas.


5. Pra que serve a Filosofia?






Arthur Schopenhauer (1788 - 1860), filósofo alemão, afirmava sobre os filósofos docentes nas universidades, que se tratavam de professores que falavam difícil para impressionar os alunos, apresentando livros de difícil compreensão. Ao observarmos com atenção essa tira do cartunista Quino, constatamos que Mafalda interroga-se sobre um problema parecido com o levantado pelo, paradoxalmente, filósofo: a utilidade das coisas. No mundo contemporâneo o senso comum valoriza conhecimentos pragmáticos que proponham soluções rápidas, objetivas e seguras sobre questões cotidianas. Assim o médico é valorizado por salvar vidas ou o engenheiro por construir prédios. Por trás dessa valorização social está claro para a sociedade que aqueles seres humanos que são úteis a comunidade merecem destaque, bem como os conhecimentos que permitem a evolução do mundo. Nesse contexto é justo perguntar:


Qual a utilidade da filosofia? Como Mafalda também perguntamos: Por que acumular um conhecimento que não será útil para resolver os problemas da minha profissão?


Respeitando essa linha de pensamento, temos que admitirquea filosofia pode ser um conhecimento inútil, já que não altera, de imediato e pragmaticamente,o mundo ao redor de cada um. Todavia, se apenas por um milésimo de segundo resolvemos questionar o que é utilidade, e o que é ser útil,a filosofia ressurge como força motora da reflexão. Nenhum conhecimento se estabelece ou se é modificado sem antes terem se mudado as bases filosóficas que o sustentam. Nesse sentido a filosofia simplesmente ocorre, queiramos que ela aconteça ou não.Saber disso e estudá-la, portanto, torna-se necessário para que não fiquemos perdidos no mundo. Para tomarmos decisões, conduzir nosso processo de vida e caminharmos autonomamente no mundo a reflexão filosófica torna-se o único caminho seguro.


6. A Atitude FIlosófica






Por vezes passamos por longos trechos da nossa vida indiferentes a uma reflexão própria, sendo guiados por um conjunto de informações que recebemos da nossa família, dos amigos, da mídia, dos mitos aprendidos desde a infância ou de pessoas que nos inspiram. Somos formados por valores e, por vezes, preconceitos das pessoas que nos relacionamos e a partir disso criamos os nossos próprios hábitos. Às vezes, por um movimento de inércia, tendemos a repetir e reproduzir o que aprendemos sem grandes julgamentos se os valores que nos foram ensinados se encaixam com aquilo que realmente pensamos ou sentimos. Na experiência humana é comum que em algum momento essa passividade termine e passemos a construir nossos próprios valores. Para que esse processo ocorra é necessário que nos espantemos com disse Platão na citação de abertura. Após o incomodo inicial de perscrutarmos a si próprios passamos à avaliação e à crítica sobre o que aprendemos e é este processo que denominamos de atitude filosófica. A partir do questionamento do que é certo ou errado pelo próprio individuo o exercício filosófico acontece e se plenifica.

O questionamento filosófico é o próprio questionamento presente na linguagem através dos termos: Como?, Por quê?, O que?, Qual?

O questionamento sobre o dia-dia e o senso comum são, por sua simplicidade, a base da atitude filosófica. Três são as partes de uma postura reflexiva:


a. Negação: Negação do valor aprendido, permitindo-se pensar por contradição em outro tipo de valor.

b. Questionamento: O individuo, questiona, verifica, averigua se a ideia rejeitada tem ou não fundamentação lógica e empírica.

c. Conclusão: Há a confirmação ou negação pessoal daquele valor posto em dúvida.

Ex. Valor: “Homens são melhores na direção do que mulheres”


Postura de Filosófica:


a): Negação do senso comum para procurar resultados diferentes do afirmado.


“Homens não são melhores na direção do que as mulheres”



Postura Filosófica:


b): investiga-se por observação, analise social ou outro método o valor negado.


“Historicamente pelo patriarcalismo homens se sentem melhores que as mulheres em função de comando”


Postura Filosófica

c): Opta-se por reafirmar ou não aquele valor.


“ Não há dados confiáveis que possam garantir que um gênero é superior ao outro em relação a realização de uma função motora.


A partir das atitudes filosóficas humanas em diferentes tempos e culturas definimos os campos da investigação filosófica que serão estudados nessa coleção. São eles:


· Lógica: Problemas de natureza do raciocínio.

· Metafisica: Problema de natureza da razão.

· Teoria do Conhecimento: Problema de natureza da verdade.

· Epistemologia: Problema de natureza do processo de aprendizagem.

· Filosofia Política: Problema de natureza de relação.

· Ética: problema de natureza de valor.

· Estética. Problema de natureza da arte.

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