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Aula Escrita #15: Sociologia da Cultura

Atualizado: 6 de ago. de 2020

Revisão de Sociologia em Texto e Imagens!





Cultura ou Civilização, tomada em seu mais amplo sentido etnográfico, é aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem na condição de membro da sociedade.

Tylotr. Cultura Primitiva (Primitive Culture), de 1871.,



A Cultura Erudita





A cultura erudita está relacionada a um conhecimento formal, ou seja, uma erudição. Normalmente, ela é mais consumida pelas elites sociais, pois até mesmo a sua produção envolve um alto custo – pense em uma orquestra sinfônica, por exemplo, todos os seus músicos, o custo logístico dos instrumentos e do local de apresentação. Além disso, ela exige anos de estudos nas mais diversas áreas da arte, da cultura, e mesmo de ciências sociais ou exatas.


É possível destacar alguns museus, orquestras sinfônicas, óperas, certas apresentações teatrais, entre outras manifestações como de cultura erudita: alto custo, arte da elite, conhecimento profundo e formal.



A Cultura Popular.





A cultura popular não envolve tanta “fineza” como a cultura erudita, mas ainda assim, se vale de conhecimento formal para sua produção. A diferença é que a esse tipo de manifestação cultural aproveita mais os insights vindos do povo, bem como também utiliza saberes típicos de uma cultura de erudição. O exemplo mais fácil de compreender que podemos citar é a Música Popular Brasileira (MPB).

Músicos como Caetano, Gil, Bethânia, entre outros, não fazem suas músicas exatamente para a massa, mas eles tiram diversas ideias, conceitos e inspirações das favelas, dos sertões e das áreas mais empobrecidas do país como forma de expressar seus sentimentos e ideias com a música, unindo isso a todo um conhecimento técnico em música e outras artes, que torna a música popular única.




A Cultura de Massa



Pegando o ponto de vista de pesquisadores como Adorno e Horkheimer, a cultura de massa é aquele tipo de cultura que todo mundo acessa, pois é de fácil compreensão, fácil reprodução e de grande padronização. Ou seja, “mais do mesmo”. Uma característica importantíssima desse tipo de cultura é o fato de que ela é pensada para ser comercializada (filmes, músicas, roupas, obras de arte, entre outros), às vezes, pautada mais pelo retorno comercial do que pela expressão artística em si.




Isso leva a uma série de críticas, mas não há como se negar que a cultura de massa tem muito mais potencial para chegar a um grande número de pessoas do que as duas citadas anteriormente.

Essa discussão erudita ou popular x massa não tem como intenção fazer um juízo de valor dessas manifestações, mas encontrar as suas diferenças para a produção de uma cultura mais espontânea e que realmente represente os anseios de nosso povo. Além disso, com o apoio da internet, está muito mais fácil transitar entre o que é erudito, massivo ou popular, mesclando aspectos desses três tipos.




A Escola De Frankfurt





Fundada em 1924, a Escola de Frankfurt recebeu o nome original de Instituto para a Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt. Cumpriu um papel importante em seu tempo, pois a maioria das instituições acadêmicas se posicionava contra o comunismo e se opunham à filosofia marxiana, deixando de lado a importante reflexão sobre o movimento trabalhador e o socialismo, lacuna preenchida pelos frankfurtianos. Os estudos da Escola buscavam uma aproximação entre Marx e Freud, e por vezes Heidegger, num gigantesco trabalho de interdisciplinaridade e síntese entre estes pensadores. Podemos dizer que entre 1930 e 1950 os pensadores frankfurtianos escreveram e pesaram sobre tudo, incluindo filosofia, economia, sociologia, cultura de massas, psicologia autoritária, estética, cinema, música, tecnologia, ideologia, capitalismo, desemprego, literatura, autoritarismo, fascismo e, claro, da psicanálise e dos efeitos da repressão sexual. Dentro dessa gama de temas, tratados de uma forma original, puderam revelar a crescente importância dos fenômenos de mídia e da cultura de massa na formação do modo de vida contemporâneo. Para eles, os modos de comunicação só adquirem sentido em relação à realidade social do qual são antes de mais nada uma mediação, um instrumento e, por isso, precisam ser estudadas à luz do processo histórico global da sociedade. Partindo das teses de Marx, Freud e Nietzsche, filósofos que exerceram grande influência no mundo e que provocaram profundas mudanças no modo de ver e compreender o homem, a cultura e a sociedade, a principal tarefa dos frankfurtianos consistiu, essencialmente, em reinterpretar as ideias destes pensadores de com o objetivo de compreender as novas realidades surgidas com o desenvolvimento do capitalismo no século XX. Sem dúvida, a ideia que mais caracteriza a Escola de Frankfurt é o pensamento de Marx aplicado à sociologia, à pesquisa social e à filosofia, abordando de maneira crítica aspectos contemporâneos das formas de comunicação e cultura humanas. Nasce exatamente dessa crítica os conceitos de Indústria Cultural e Cultura de Massa. Apesar de ser de inspiração marxiana, a Escola de Frankfurt nunca nutriu qualquer desejo de promover a revolução, ou seja, não teve intenções práticas, se restringindo à atividade de centro de divulgação de ideias e estudos que compreendessem o mundo contemporâneo.


Um dos principais pensadores da Escola de Frankfurt foi Adorno que ocupou inclusive o cargo de diretor da escola. A dialética negativa Se a dialética hegeliana pregava uma conciliação entre ideia e história, ou seja, entre pensamento e realidade, Adorno adota o conceito de dialética negativa, negando a identidade entre realidade e pensamento, ou seja, ele afirma que não há conexão entre realidade e pensamento, o que significa que a filosofia não e capaz de captar a realidade. Desse modo, Adorno defenderá que a realidade não pode ser pensada como ela é de fato, mas que tal pretensão não passa de uma ilusão filosófica e não passam de elaborações de novas ideologias acerca da realidade, ou seja, não correspondem à realidade nela mesma e se constituem apensas em ideias subjetivas sobre o real. Somente quando o homem reconhece que não há identidade entre realidade e pensamento é que se pode desmascarar e realidade e jogar fora toda e qualquer ideologia que pode ser tanto capitalista quanto filosófica. Assim, juntamente com Horkheimer, Adorno critica a pretensão iluminista apreender a realidade de forma racional, tornando-a compreensível por meio de verdades. Na verdade, tal pretensão é nociva ao próprio mundo uma vez que pretende compreende-lo com fins somente de dominação. Este conceito é denominado de Razão Instrumental. Para o filósofo, o verdadeiro objetivo da razão iluminista deveria ser a crítica, ou seja, libertar a mente de toda e qualquer ideologia. Tal razão iluminista, como é, busca “o aumento da produção econômica, que, por uma lado, gera condições para um mundo mais justo, por outro lado propicia ao instrumental técnico e aos grupos sociais que dele dispõem imensa superioridade sobre o resto da população. Diante das forças econômicas, o indivíduo é reduzido a zero. Estas, ao mesmo tempo, levam a um nível jamais alcançado o domínio da sociedade sobre a natureza. Enquanto o indivíduo desaparece diante da máquina a que serve, é por ela aprisionado melhor que jamais o fora. No Estado injusto, a impotência e a dirigibilidade da massa crescem com a quantidade de bens que lhe são fornecidos”. (Adorno. In: REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. 2ª ed. 7 v. São Paulo: Loyola, 2001. Volume VI, P. 474).



A indústria cultural




Ao criar o conceito de indústria cultural, Adorno denuncia uma forma de dominação cultural que constitui uma poderosa máquina a favor daqueles que detêm os conhecimentos ou são proprietários da razão instrumental. A sociedade tecnológica contemporânea utiliza da mídia (cinema, televisão, rádio, musica, publicidade etc), isto é, dos meios de comunicação em geral, incluindo a internet (apesar de esta não existir na época de Adorno), como mecanismos de dominação por meio da divulgação das ideologias de consumo que levaria à ‘felicidade’ própria dos dominadores, tornando necessidade aquilo que é supérfluo, impondo modelos de comportamento e consumo, valores, linguagem, modos de ser e de viver que correspondam aos seus interesses. O divertimento não é mais visto como o lugar da recreação, da liberdade, da criatividade, da genialidade e da verdadeira alegria. A Indústria cultural impõe o modelo e como o divertimento deve ser consumido. Na maioria das vezes, o cinema, a televisão, a música, a literatura determinam um modo de ser do homem que simplesmente repete ou aceita como criativo o que lhe dado para consumir. O “sistema” desenvolve o que lhe é interessante, com fins puramente econômicos, e tais modelos são assimilados pelos homens como a única maneira de prazer e divertimento. A crítica ao iluminismo se dá exatamente nestes termos: se o ideal de libertação do homem era o foco do pensamento do esclarecimento, a razão iluminista, quando se resumiu em simples razão dominadora e técnica da natureza, a razão instrumental, acabou por criar ela mesma uma forma de ideologia que não liberta, mas aprisiona o homem em modelos de vida predeterminados. O indivíduo é considerado como nada, e deve repetir o que todos fazem, sendo que o que todos fazem é determinado pos interesses capitalistas de consumo e aumento de renda. O “destino” do homem é consumir o que o “sistema” produz.



A cultura de massa



Tal industria cultural acaba por determinar o que Adorno e Horkheimer chamam de cultura de massas. Esta cultura acaba por se sobrepor aos outros tipos de cultura anteriores e alternativos, submetendo as demais formas culturais a um projeto comum e homogêneo em consonância intrínseca com o poder econômico do capital industrial e financeiro. Em consequência da excessiva divulgação da cultura de massa, a cultura alternativa sofreu grande depreciação, quer pelo seu abandono ou pelo pouco investimento de que necessita para sobreviver, e a consequência deste fato foi que as formas e valores apreciados pela população tornaram-se quase que exclusivamente os valores compartilhados pela massa. Max Horkheimer (1895-1973) Crítica à razão instrumental Horkheimer critica a razão instrumental, razão utilizada como forma de dominação da natureza e somente servindo à classe dominadora que visa o lucro, incluindo em seu pensamento também uma crítica política. Afirma que as leis do capitalismo são injustas em sua origem, pois se baseiam na exploração e aumento das diferenças sociais. No entanto, o comunismo é tão somente um capitalismo de estado, não sendo alternativa ao probelma. Estes dois poderes, o poder econômico e o poder político, estão juntos a favor do bem de poucos e promovendo a exploração de muitos. O conceito de racionalidade moderna, base da civilização industrial, é falho e somente perpetua tal condição, uma vez que pretende dominar a natureza em vista da dominação do homem. A ideia do homem, sua emancipação, crítica, criatividade e desenvolvimento pleno foram esFilosofia 7 quecidos em nome de uma razão instrumental que serve aos interesses econômicos da civilização industrial moderna. Neste sentido, a razão renunciou sua autonomia original e se tornou um simples instrumento para alcançar objetivos já predefinidos.




Diante desse quadro em que a razão se reduziu a mero instrumento de poder político e econômico, a filosofia tem papel determinante de denunciar aquilo que os homens chamam de razão mas que não passa de instrumentalização da razão, ou uma razão menor e menos digna. Por meio desta denúncia o que se pretende é resgatar o papel original da razão como libertadora e emancipatória.

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