Aula Escrita #16: Sociologia da Sociedade Civil.

Atualizado: 11 de ago. de 2020

Revisão de Sociologia em Texto e Imagens!







Sociedade civil refere-se à arena de ações coletivas voluntárias em torno de interesses, propósitos e valores. Na teoria, as suas formas institucionais são distintas daquelas do estado, família e mercado, embora na prática, as fronteiras entre estado, sociedade civil, família e mercado sejam frequentemente complexos, indistintos e negociados. A sociedade civil comumente abraça uma diversidade de espaços, actores e formas institucionais, variando em seu grau de formalidade, autonomia e poder. Sociedades civis são frequentemente povoadas por organizações como instituições de caridade, organizações não governamentais de desenvolvimento, grupos comunitários, organizações femininas, organizações religiosas, associações profissionais, sindicatos, grupos de autoajuda, movimentos sociais, associações comerciais, coalizões e grupos ativistas.

Definição da Biblioteca Britânica.


Sociedade civil


A Sociedade Civil refere-se ao conjunto das organizações voluntárias que servem como mecanismos de articulação de uma sociedade, por oposição às estruturas apoiadas pela força de um Estado (independentemente de seu sistema político).



Sociologia e Religião



Sociologia da religião busca explicar empiricamente as relações mútuas entre religião e sociedade. Os estudos fundamentam-se na dimensão social da religião e na dimensão religiosa da sociedade.

De tantas formas, as delimitações de nossa convivência em sociedade são definidas a partir de nossa convivência familiar e, posteriormente, com nossa comunidade mais próxima. Dessa forma, certos traços de nossa comunidade são interiorizados em nossa consciência, de forma que nos tornamos capacitados para agir em nosso meio. Isso quer dizer que aprendemos a entender a nossa realidade e dar sentido às nossas ações, de forma que o outro com o qual nos comunicamos nos entenda. Uma das formas que utilizamos para isso são os símbolos, que podem ser definidos por nossas crenças ou já possuírem um sentido construído de forma mais ampla em nossa sociedade.

Mas como isso afeta nossa busca pela definição de religião? Para definirmos o que é uma religião, precisamos antes entender que não podemos partir de noções individuais, predefinidas e tendenciosas sobre a forma como se constrói a crença de um grupo. Assim sendo, não podemos tomar as características do cristianismo, por exemplo, como ponto de comparação sobre o que é ou o que não é uma religião.




Precisamos antes entender que uma religião não está necessariamente ligada a uma crença monoteísta, isto é, a crença na existência de uma única divindade suprema. Além disso, uma religião não está necessariamente interligada a preceitos morais. A ideia de que os deuses estão interessados em definir o modo de comportamento socialmente aceito não existe em várias religiões.

Não devemos também apontar que uma religião está sempre fundamentada sobre um mito de criação do mundo. Embora várias preocuparam-se em construir essa justificativa, não são todas as que estão interessadas nesse aspecto.

Por fim, não podemos definir uma religião apontando a busca pelo sobrenatural (deuses, espíritos, fantasmas, demônios etc.) como uma das características-chave. Existem religiões que se pautam na busca pela harmonia com o mundo e com a convivência imediata e que não estão interessadas em entender o que está além dos nossos sentidos.

Todos esses pontos são levantados por Anthony Guiddens*, sociólogo britânico, em sua breve definição do que não deve ser entendido como característica-chave na definição do que é religião. Entretanto, sua explicação também se ocupa em reunir as formas de definição mais amplamente aceitas.

As religiões carregam certos pontos em comum. A primeira delas é que, até onde se sabe, todas as religiões possuem um conjunto de símbolos que remetem ou são alvos de reverência e/ou respeito. Esses símbolos estão ligados a rituais ou cerimônias, dos quais a comunidade de fiéis participa ativamente. Isso quer dizer que, em toda religião, existem objetos ou ideias simbólicas que representam algo a ser reverenciado e admirado. No Budismo, por exemplo, a imagem de Buda, ainda que este não seja visto como uma divindade, é alvo de reverências e admiração.

Quanto aos rituais, eles podem ser diversos e variados, cada um possuindo um significado específico. As rezas, as canções, a abstinência de algum tipo de comida ou o jejum, por exemplo, são rituais que carregam significado atrelado à crença religiosa do grupo. Esses rituais fazem parte da identidade religiosa e da construção da religiosidade dos fieis.

Para a Sociologia, o caráter social desses rituais é um dos aspectos de maior interesse. As comunidades que se formam em volta das religiões variam em uma série de aspectos. Nas comunidades mais tradicionais, a religião torna-se base para um grande número de manifestações sociais. A arte, a música, a literatura, entre outros, são delimitadas pela tradição religiosa nas comunidades mais intimamente conectadas a ela. A partir disso, tiramos uma perspectiva do tamanho da influência que as religiões possuem na vida de seus fieis. Por isso, há um cuidado que devemos ter ao trabalharmos com definições de religião, haja vista que não podemos ser tendenciosos se o nosso objetivo é realmente entender esse ou qualquer outro aspecto de nossa sociedade tão diversa.

Sociologia e Trabalho




O conceito de trabalho é formado por elemento teológico que teve influência no ocidente greco-romano-helenista chegando até os nossos dias.


O termo trabalho é originário do latim tripalium, que designa instrumento de tortura. Por extensão, significa aquilo que fatiga ou provoca dor.  Na etimologia da palavra trabalho, ou tripalium), do Latim , um instrumento romano de tortura, espécie de tripé formado por três estacas cravadas no chão, onde eram supliciados os escravos. " tri" (três) e " palus" (pau) - literalmente, "três paus". Daí o verbo tripaliare (ou trepaliare), que significava, inicialmente, torturar alguém no tripalium.


Sociologia e Economia


Não diferentemente da Sociologia, da Ciência Política ou da Antropologia, a Economia é também uma ciência social, uma vez que seu objeto de estudo também é fruto da vida social. Mais especificamente, seu foco está em compreender como ocorrem as relações entre os indivíduos e as organizações na sociedade do ponto de vista da produção, da troca e do consumo de mercadorias, de serviços e de bens em geral. Assim, a Economia vai tratar do estudo da alocação dos recursos disponíveis pelos homens coparticipantes de uma vida em sociedade, analisando como essa última administra esses mesmos recursos escassos.


Desemprego, inflação, déficit público, alterações nas taxas de juros, aportes financeiros dos Estados em tempos de crise, aumento de impostos, desvalorização da taxa de câmbio, entre tantas outras expressões, já fazem parte do nosso cotidiano e são de interesse da Economia enquanto ciência.Os grandes problemas sociais (a exclusão social de alguns países, a questão do meio ambiente, o atraso tecnológico, os índices de desemprego, a crise financeira) de nossa época estão atrelados a problemas de ordem econômica e, dessa forma, também são estudados por ela.

Os professores Carlos Roberto Martins Passos e Otto Nogami, na obra “Os Princípios de Economia” (2005), ensinam que essa ciência está dividida em duas áreas mais gerais, o que significa dizer que existem estudos de caráter macroeconômico e microeconômico. Segundo eles (PASSOS & NOGAMI, 2001, p. 70), “ateoria Microeconômica, ou microeconomia, preocupa-se em explicar o comportamento econômico das unidades individuais de decisão representadas pelos consumidores, firmas [empresas] e pelos proprietários de recursos produtivos [fatores de produção, insumos de forma geral]. Ela estuda a interação entre as firmas e consumidores e a maneira pela qual produção e preço são determinados em mercados específicos.”Ela se debruça sobre o estudo mais pormenorizado da ação e da relação econômica entre os chamados agentes econômicos: empresas, consumidores ou unidades familiares e o Estado. As empresas seriam responsáveis pela oferta dos produtos e serviços e objetivariam o lucro máximo. Dos consumidores ou das unidades familiares partiria a demanda pelos produtos e serviços, objetivando-se o melhor padrão para atendimento segundo seus desejos, isto é, a própria demanda. Já o Estado, responsável pela organização e regularização da sociedade – logo também da economia, em certos aspectos – poderia agir ao mesmo tempo como empresário e consumidor. Dessa interação entre tais agentes tem-se o mercado, sendo este o local ou o contexto em que compradores (que compõem o lado da procura) e vendedores (que compõem o lado da oferta) de bens, serviços ou recursos estabelecem contatos e realizam transações. Assim, é preciso considerar que o sistema econômico oferece limites para que tais agentes se realizem, isto é, alcancem seus objetivos. Esses limites consistem na escassez da oferta diante da demanda. Assim, a escassez significa que a sociedade tem recursos limitados e, portanto, não pode produzir todos os bens e serviços que as pessoas desejam ter. Nesse sentido, haja vista essa escassez, as decisões tomadas por cada indivíduo dentro da interação econômica vão determinar o preço de determinado produto. Logo, o conhecimento da Microeconomia é fundamental para entender e prever comportamentos, decisões e estratégias dos agentes. Cabe à microeconomia estudar como os agentes econômicos dentro do mercado (interagindo com este), sob determinado sistema de preços, diante das limitações (da escassez) de recursos para produção, tomam decisões.




Já a teoria Macroeconômica, ou macroeconomia, ainda segundo tais professores (ibidem, p, 70), “estuda o comportamento da economia como um todo”. Assim, tem como objeto de estudo o que determina e o que modifica o comportamento de variáveis agregadas, tais como a produção total de bens e serviços, taxa de crescimento econômico, as taxas de inflação e de desemprego, de criação de emprego, as despesas totais de consumo, as despesas totais de investimento, o volume total de poupança, as despesas totais do governo, os níveis do PIB (Produto interno Bruto), etc. Dessa forma, as questões ligadas à economia internacional, do ponto de vista das relações e transações comerciais e financeiras entre países e blocos econômicos, também se inserem ao âmbito da macroeconomia, pois muitos dos eventos e conjunturas internas às economias nacionais são reflexo dos acontecimentos externos, fato que comprova o nível de globalização econômica a que se chegou no dias atuais.



Contudo, ao final dessa breve explanação sobre os pilares que compõem a Economia enquanto ciência, vale a pena fazer a ressalva de que, apesar dessa divisão entre micro e macroeconomia, esses limites e zonas fronteiriças entre essas áreas tornam-se cada vez mais difíceis de serem definidos com precisão. É o que aponta Robert S. Pindyck e Daniel L. Rubinfeld no livro, traduzido para o português, “Microeconomia (2010), quando afirmam que essa dificuldade da definição das especificidades se dá porque a “macroeconomia também envolve análise de mercados (o que seria até certo ponto objeto apenas da microeconomia) – por exemplo, mercados agregados de bens e serviços, mão de obra e títulos de empresas. Para entender como operam tais mercados agregados, é necessário compreender o comportamento das empresas, dos consumidores, dos trabalhadores e dos investidores que os compõem. Dessa maneira, os macroeconomistas têm se preocupado cada vez mais com os fundamentos microeconômicos dos fenômenos econômicos agregados, e grande parte da macroeconomia é, na realidade, uma extensão da análise microeconômica” (PINDYCK & RUBINFELD, 2010, p. 04).




Sociologia e Família


Na sociologia, a família representa uma agregação de indivíduos unidos por laços afetivos ou de parentesco em que os adultos são responsáveis pelo cuidado com as crianças.

A família também é compreendida como a primeira instituição responsável pela socialização dos indivíduos.

Ao longo da história, o conceito sofreu algumas transformações significativas, mas mantém como características comuns a formação de um núcleo (familiar) e sua responsabilidade com o cuidado dos indivíduos mais jovens.

O conceito de família assume sua complexidade por relacionar a natureza, a partir do nascimento de novos indivíduos da espécie humana, com a cultura, através da organização de grupos sociais (familiares).



A família enquanto instituição está diretamente relacionada com outros conceitos que fundamentam a sociedade:

  • a filiação, a relação de descendência;

  • a fraternidade, relação com os outros em iguais condições;

  • a conjugalidade, a associação entre dois membros da sociedade;

  • a maternidade e paternidade, a capacidade de deixar descendentes e transmitir valores e construções sociais.

Dentro desse modo, a família torna-se a instituição Social que origina todas as outras (Estado, religião, educação, etc.). A maneira pela qual ela é organizada e o significado a ela atribuído nas sociedades do ocidente é o centro das determinações sociais.


A família contemporânea se caracteriza pela multiplicidade de arranjos entre pessoas adultas e filhos.

No século XXI, novos tipos de família estão sendo reconhecidos jurídica e socialmente, tais quais a família monoparental ou a homoafetiva



Sociologia e Movimentos Sociais


Os movimentos sociais podem ser definidos como grupos da sociedade formados com o objetivo de promover mudanças sociais e políticas. Os participantes dos grupos sociais se unem para promover mudanças específicas e de acordo com os anseios, alterações sociais e políticas que desejam conquistar. De forma geral, os movimentos sociais desejam mudanças contra a exclisão e de direitos sofridas por alguns grupos.

A existência de movimentos sociais se justifica por conta das diferenças entre os indivíduos e, consequentemente, da exclusão de políticas e práticas voltadas para as necessidades reais e específicas de cada grupo.

A Constituição assegura direitos básicos e essenciais, mas faz isso de forma geral, sem levar em conta as diferenças regionais e particularidades mais específicas de determinados grupos. Para mudar a situação de exclusão, são então formados os movimentos sociais.

As movimentações organizadas pelos movimentos sociais, geralmente, acontecem através de manifestações, que podem ou não ser pacíficas. Integram os movimentos sociais as Organizações Não Governamentais (ONGs), associações sindicais, movimentos rurais, movimentos por direitos civis e movimentos por direitos específicos, como o direito das mulheres, das populações LGBTQIAP+ e da população negra.



Características dos Movimentos Sociais



Embora lutem por direitos específicos, os movimentos sociais possuem algumas características em comum para organizar as formas de ação e garantir que as mudanças e alterações sejam conquistadas.

  • Organização de um projeto e ideologia em comum e que considere as propostas relevantes ao movimento;

  • Estrutura hierárquica que possibilita várias lideranças;

  • Ações coletivas;

  • Organização de passeatas, greves, denúncias e marchas;

  • Manifestações que podem ou não ser pacíficas;

  • Revolucionários ou reformistas.

Classificação dos Movimentos Sociais



Para facilitar a compreensão e estudo dos movimentos sociais, eles são classificados em tipo , de acordo com a atuação e os projetos que defendem.


Movimentos de classe

Ligados às diversas classes sociais e lutam por mudanças sociais e eliminação das desigualdades e exclusão social.

Movimentos reivindicatórios

Movimentos que reivindicam a solução de questões urgentes para um determinado grupo ou para toda sociedade.

Movimentos Políticos

Tem como objetivo ressaltar a importância da participação política. Pode ou não estar ligado a partidos políticos.

Independente do foco e dos objetivos do movimento, a intenção de todos é conquistar as mudanças e alterações, sejam elas políticas, sociais ou econômicas de acordo com o projeto que defendem e o grupo social que representam



Movimentos Sociais no Brasil


Em nosso país, os movimentos sociais que reivindicavam as melhores condições de trabalho no campo, distribuição de terras e não substituição da mão de obra do campo por máquinas tiveram suas primeiras manifestações durante a década de 1950.

Os movimentos de maior destaque são o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).

Durante a década de 1960,grupos contra a ditadura, a favor dos direitos humanos, e que discordavam das práticas políticas e econômicas tiveram grande destaque. O período ditatorial impedia as manifestações populares, marchas e protestos contrários ao regime. Por conta disso, muitos movimentos sociais atuavam na clandestinidade.

No decorrer das décadas de 1980 e 1990 os movimentos feministas, negros, LGBTQIAP+, pelas crianças, pessoas portadoras do vírus da aids, cadeirantes, crianças, indígenas, por moradia e pelo meio ambiente ganharam mais visibilidade.

Uma série de outros movimentos sociais também surgiram ao longo dos últimos anos e estão em busca de políticas de inclusão, acesso a medicamentos, moradia, saúde e itens específicos e necessários para a qualidade de vida e consolidação da cidadania de indivíduos ou minorias socialmente excluídas.



Teóricos das Lutas Sociais


Jürgen Habermas é considerado um dos mais importantes filósofos alemães do século XX que discute sobre a sociedade civil e o caminho para a inclusão das Minorias Sociais. Para tal ele cria a teoria da Ação Comunicativa. A ação comunicativa adota o paradigma comunicacional como modo de superação das ideologias produzidas da razão instrumental, levando o homem novamente pelo caminho da razão à libertação da ignorância e das ideologias. Habermas compreende a razão comunicativa (teoria da ação comunicativa) como a maneira de restabelecer a comunicação livre, racional e crítica entre os homens e as sociedades, em substituição à razão instrumental ou buscando a superação da razão iluminista da dominação da natureza e do homem. A ideia da razão instrumental é reformulada em termos de razão comunicacional, através de relações intersubjetivas, nas quais, pela interação de dois ou mais sujeitos, os mesmo buscam entender-se sobre determinado assunto ou objeto, a fim de compreendê-lo de forma clara. Das relações intersubjetivas é que se permite discernir a universalização dos interesses numa discussão. É exatamente neste ponto que o fundamento de uma ética da discussão exige a reconstrução de um espaço crítico, aberto e pluralista. Desta forma, a racionalidade passa a ser vista como uma fonte inspiradora nas ações humanas, visando à emancipação dos homens e o entendimento do mundo. A comunicação ou diálogo comunicativo não serve como espaço de simples convencimento, mas como um lugar em que as diferenças serão manifestas, o respeito pelo outro e suas tradições culturais serão cultivados, e por meio do diálogo se buscará um novo caminho ou solução que se difere da simples arte do convencimento e imposição de uma ideia sobre as dos demais. Para Habermas, são dois os princípios que o discurso ético deve respeitar para que seja válido universalmente. O primeiro é o princípio do discurso, que diz que todo sujeito capaz de falar e de agir pode tomar parte num discurso moral, ou seja, que todos os homens que se comunicam podem participar da discussão sobre os valores morais. O segundo princípio, denominado princípio de universalização, defende que a norma válida é aquele que possa ser aceita por todos os que participaram da discussão. No entanto, esse assentimento deve ser racional, ou seja, o sujeito deve aceitar ou não o valor por questões racionais e não por interesses particulares de vantagem pessoal ou de vantagem geral, mas deve aceita-la porque ele é correta de acordo como discurso interpessoal, independentemente de ser ou não vantajosa para os homens concretos.



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