top of page

Aula Escrita #3: Filosofia Antiga - Parte 2

Revisão de Filosofia em Texto e Imagens!






“Pois bem (diz ele), a maioria dos primeiros filósofos acreditara que os únicos princípios de todas as coisas são os de índole material. Pois aquilo do qual são constituídos todos os entes, o termo primeiro de sua geração e o termo final de sua deterioração – enquanto a substância permanece, mudando-se somente as afecções –, é isso que eles consideram como o elemento e o princípio dos entes. E por isso acreditaram que nada se gera e nem se destrói, porque tal natureza se conserva sempre... Porém, quanto ao número e à forma de tal princípio, nem todos dizem o mesmo, Tales, entretanto, o iniciador de tal filosofia, afirma que é a água...”.

ARISTÓTELES, Metafísica, I, 3, 983b 6-21 (García Yebra, Madrid: Gredos, 1982).


1. A Filosofia Pré-Socrática







García Yebra, Madrid: Gredos, 1982, bem como da de Jean Tricot, Paris: Vrin, 1970)



Como vimos no capítulo anterior, a filosofia nasce a partir da perda gradativa do poder do mito, utilizado até então como única e exclusiva forma de explicar o Cosmos. Uma vez que o mito torna-se insuficiente ou, pelo menos, pouco capaz de oferecer respostas que façam sentido aos homens sobre a origem e o funcionamento da natureza, torna-se necessário encontrar outra forma de explicação do mundo.

Os primeiros filósofos da história, considerados os fundadores da filosofia e da cosmologia, foram os pensadores pré-socráticos (filósofos da natureza) , ou simplesmente fisiólogos (physis: natureza / logos: discurso racional).


Tais filósofos possuem esse nome por serem pensadores anteriores a Sócrates. O filósofo ateniense ocupa lugar de destaque na história da filosofia, o que o tornar fundamental para toda cultural ocidental. O modo como pensamos, sentimos, falamos, nossos planos e sonhos, tudo o que envolve a relação do homem com o mundo, com a sociedade e consigo mesmo, provém do pensamento socrático. Ele representa uma divisão na filosofia, que pode ser entendida antes e depois de Sócrates, devido ao novo foco que ele dá ao pensamento racional, o qual se volta para o homem e a sociedade.

O objetivo da filosofia pré-socrática ou naturalista é explicar a natureza, ou melhor, a origem do Cosmos. Tais explicações não devem se basear mais na imaginação, nos mitos, mas sim na observação atenta e criteriosa da natureza, encontrando nela mesma algo que possa ser entendido ou considerado como sua origem ou fundamento, uma matéria-prima original, uma substância conhecida como Arché


Tal substância original existiria antes de qual­quer outra coisa, e tudo teria origem nela numa relação de causa e efeito, ou seja, em última instância, tudo o que existe hoje seria efeito dessa causa primeira ou dessa Arché.

Mas qual seria tal substância ou qualidade original dos seres? Isso é exatamente o que os pré-socráticos buscavam responder.

Cada um deles deu uma resposta diferente a essa ques­tão, algumas mais aceitáveis e lógicas, outras um tanto estranhas e, para nós, até absurdas. Mas o mais importante do pensamento pré-socrático não é a Arché que eles encontraram, mas sim a atitude crítica e investigativa que marcou seu pensamento acerca do mundo e de sua origem.







2. Parmênides







Parmênides foi um filósofo grego natural de Eleia, uma cidade grega na costa sul da Magna Grécia. A citação mais importante do pensamento de Parmênides resume seu pensamento: de “O ser é e o não-ser não é”. Tal concepção, oposta ao mobilismo de Heráclito, recebe o nome de imobilismo. Esta concepção acerca dos seres defende a existência de uma essência imutável dos mesmos, de modo que o conhecimento do ser seria exatamente o conhecimento de sua essência.

A essência, parte imaterial que define o ser, que alguns filósofos denominam também de “alma”, é imaterial, abstrata e imutável. Só pode ser conhecida por meio da razão, do pensamento, não sendo acessível pelos cinco sentidos. Tal essência seria o próprio ser.

Nesse sentido, Parmênides dirá que a aparência não existe. Isso porque, pelo fato de estar sempre em constante mudança, ela não é nada, ou seja, no mesmo instante que é, deixa de ser. Sendo assim, a aparência é o não-ser. Corresponde ao não-ser, que á a própria ausência do ser. O não-ser não pode ser conhecido e, por isso, não pode ser dito, ser pensado e muito menos conhecido.




3. Heráclito





Heráclito foi um filósofo pré-socrático considerado o "pai da dialética". Recebeu a alcunha de "Obscuro" principalmente em razão da obra a ele atribuída por Diógenes Laércio. Heráclito dizia que a Arché do universo era o fogo. No entanto, tal ideia não é a mais importante em seu pensamento. Sua ideia fundamental, que constitui uma das discussões mais importantes da filosofia até os dias atuais diz que tudo está em constante transformação. Isso significa que tudo flui e que a vida é uma interminável sequência de nascimento e morte, construção e destruição. Tal concepção é conhecida como mobilismo. Nesse sentido, o fogo é a representação da própria mudança, uma vez que tudo o que é levado ao fogo se transforma e o próprio fogo é instável.

Para Heráclito, tudo flui, tudo passa, tudo se move. A vida se transforma em morte e a morte em vida, o úmido seca e o seco umedece, a noite torna-se dia e o dia torna-se noite. O mundo é um perpétuo renascer. Tal concepção se resume em sua citação mais importante, que diz que um homem não pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois, ao retornar ao rio, o homem estaria diferente e o rio também.

Desse modo, em todo ser está contido o não-ser, ou seja, seu oposto. A transformação consiste exatamente no ser que se torna não-ser. Por isso, afirma que tudo no universo vive em constante conflito com o seu contrário. Os seres vivos só morreriam porque já trariam em si a morte como seu contrário. O próprio conhecimento dos seres do mundo só seria possível graças à existência do seu contrário.

Uma das ideias mais importantes de Heráclito, que o coloca em oposição com Parmênides, é de que os seres não teriam essência, uma vez que esta, por própria definição, não pode se transformar. Assim, o filósofo defende que não existe uma essência estável nos seres, sendo que estes só podem ser conhecidos por meio de sua aparência mutável, que só pode ser conhecida pelos cinco sentidos.




4. Tales de Mileto


Foi o primeiro pré-socrático conhecido como o fundador da filosofia cosmológica. Segundo Tales, a Arché do universo é a água. Tal defesa se dá pelo fato de a água se apresentar nos três estados físicos: sólido (gelo), líquido e gasoso (nuvens). A água seria como uma divindade e estava presente em todas as coisas, portanto as coisas estariam “cheias de deuses”.


5. Anaximandro de Mileto


Anaximandro discorda de Tales a respeito da Arché do universo, afirmando que não poderia ser algo determinado e concreto como a água. Defende então a ideia de que a origem do universo é o Apeí­ron, algo imaterial, indeterminado, infinito, abstrato e indizível. Desse modo, tudo surgiu do ininterrupto movimento do Apeíron.


6. Anaxímenes de Mileto


Afirma que a Arché não era algo determinado como a água nem algo indeterminado como o Apeíron, mas algo intermediário entre um e ou­tro, uma substância que não seria exatamente concreta nem abstrata. Tal Arché seria o ar. Anaxímenes argumenta que tudo provém do ar através de seu movimento e de suas transformações. Além disso, algumas propriedades do ar, como ser infinito e invisível, levaram-no a crer que tudo vem dele e nele se dissolve. Devemos perceber que a resposta de Anaxímenes resolve o problema dos fi­lósofos milesianos Tales a Anaximandro.


7. Empédocles


Acredita que o universo é formado por quatro princípios ou elementos, que são terra, ar, fogo e água. Tudo é formado pela mistura desses quatro elementos, que são imutáveis e indestrutíveis. Estes elementos se uniam pelo amor e se separavam pelo ódio. Desse modo, na natureza tudo é resultado da união, em proporções diferentes, dos mesmos elementos, sendo que nada é criado ou destruído. A vida constitui a união dos elementos, e a morte, a sua separação.


8.Pitágoras


Segundo Pitágoras, o universo se movimenta e se transforma segundo uma harmonia precisa, equilibrada e eterna e não existe nada no universo fora das proporções adequadas. Desse modo, os números constituiriam a Arché do universo, sendo que tudo obedece a proporções matemáticas perfeitas. Para o filósofo, descobrir o princípio das coisas significa estudar as relações matemáticas que estão ocultas no universo. Vale ressaltar que Pitágoras foi o primeiro pensador a utilizar a palavra filosofia para designar a atividade incansável da busca pelo saber, pela verdade.


9. Demócrito


Materialista, defendia que tudo é formado por matéria. Sua Arché são os Átomos, que são a menor parte indivisí­vel da matéria. Entre os átomos havia espaços, por isso as coisas poderiam ser cortadas. Segundo Demócrito, inclusive a alma é constituída de átomos, que se desintegram após a morte; logo, a alma não é eterna, uma vez que tais átomos se dissipam e pulverizam com a morte. O choque entre os átomos faziam com que as coisas fossem formadas. A consistên­cia desses átomos é o que define se os seres são sólidos, líquidos ou gasosos.

147 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page